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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Vega pronto para voo inaugural

Marca o culminar de nove anos de desenvolvimento



Missão permitirá certificar todo o sistema Vega
O primeiro foguete Vega irá descolar do Porto Espacial Europeu, em Kourou, na Guiana Francesa, já no próximo 13 de Fevereiro, transportando nove satélites – aumentando assim a capacidade da frota de lançadores europeia.

A primeira missão, designada VV01, tem a descolagem marcada para uma janela de lançamento de duas horas. Este primeiro voo marca o culminar de nove anos de desenvolvimento, a cargo da Agência Espacial Europeia (ESA) e parceiros, a agência espacial italiana (ASI) e a ELV SpA, o contratante principal para o desenvolvimento do veículo.

Este programa foi suportado por sete estados membros: Bélgica, França, Itália, Holanda, Espanha, Suécia e Suíça. O Vega é compatível com cargas que vão dos 300 aos 2500 quilos, dependendo do tipo de órbita e da altitude requerida pelos clientes. Com estas características, oferece à Europa uma grande segurança, fiabilidade e competitividade no lançamento de equipamento científico e de observação da Terra.

Vem assim complementar a família de lançadores já disponíveis na Guiana Francesa: o Ariane 5 para cargas pesadas e o Soyuz como lançador de médio porte, introduzido em Outubro de 2011. Neste voo inaugural, a carga consiste em dois satélites italianos – o de laser LARES, da ASI, e o ALMASat-1, da Universidade de Bolonha – tal como sete nanosatélites, de universidades europeias: e-St@r (Itália), Goliat (Roménia), MaSat-1 (Húngria), PW-Sat (Polónia), Robusta (França), UniCubeSat GG (Itália) e o Xatcobeo (Espanha).

Esta primeira missão permitirá certificar todo o sistema Vega, incluindo o próprio veículo, a sua infra-estrutura de lançamento e operações, da campanha de lançamento à separação da carga e desactivação do andar superior.

Depois deste voo de certificação, o sistema de lançamento será entregue à Arianespace, que ficará responsável pelas operações. A empresa também terá a seu cargo a comercialização no mercado internacional, tendo como objectivo conseguir pelo menos duas missões por ano. A ESA será o primeiro cliente da Arianespace, com cinco lançamentos.

Caudais dos rios ibéricos estão a diminuir

Centro Superior de Investigações Científicas espanhol analisou as últimas seis décadas

Estudo publicado no «Journal of Hydrology» (clique para ampliar)
Estudo publicado no «Journal of Hydrology» (clique para ampliar)
Os caudais dos rios da Península Ibérica estão a diminuir. Esta conclusão é resultado da investigação do Centro Superior de Investigações Científicas (CSIC) espanhol publicada agora no «Journal of Hydrology». Os especialistas analisaram as tendências dos caudais de 187 bacias hidrográficas entre 1945 e 2005.
Os resultados mostram a redução generalizada dos fluxos anuais na maior parte das bacias. Em casos pontuais o caudal diminuiu em mais de três por cento em média anual. As alterações climáticas e uma diferente utilização da água são algumas das possíveis causas desta descida, adianta o estudo.
“A descida generalizada dos caudais pode associar-se a à diminuição das chuvas e ao aumento da temperatura observados nas últimas décadas, já que a tendência negativa se observou tanto nos troços dos rios regulados como nos não regulados”, explica Sergio Vicente, do Instituto Pirenaico de Ecologia, do CSIC.

Além disso, acrescenta “o processo poderá acelerar-se durante o século XXI de acordo com as projecções dos actuais modelos de alterações climáticas para a Península Ibérica”.
Além das alterações climáticas existem outras prováveis causas para o fenómeno. “As mudanças no uso e na cobertura do solo têm um papel importante na diminuição dos caudais”, diz.

O abandono “dos campos de cultivo e de pasto nas zonas de montanha durante a segunda metade do século XX, bem como a colonização destas áreas por arbustos e florestas aumentou a infiltração, a interceptação e evapotranspiração directa da vegetação, o que reduz o escoamento para os rios”, acrescenta o investigador.
O aumento de consumo de água por habitante e o incremento hídrico das actividades industriais e turísticas são outras das possíveis causas.
Segura e Guadiana são os rios mais afectados
Nem todos os rios são afectados da mesma forma. Segundo os dados recolhidos, na bacia do Segura e num troço do Guadiana, a descida anual do caudal é superior a 3 por cento. O resto do Guadiana, o Júcar e a primeira parte do Tejo têm uma descida actual entre 1 e 3 por cento.
Na Primavera, metade da bacia de Guadalquivir e mais de um quarto da bacia do Guadiana baixam o seu caudal em mais de 3 por cento. No Outono e no Inverno, as regiões da Galiza, norte de Castilla e León, bacia inferior do Tejo, este de Andaluzia e nordeste de Madrid aumentaram a quantidade de água entre 1 e 3 por cento em média.

Artigo: Recent trends in Iberian streamflows (1945–2005)

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Poluição sonora nos oceanos prejudica as baleias

oram medidos os níveis de stress destes cetáceos com e sem tráfego marítimo

Contaminação acústica dificulta a capacidade de as baleias comunicarem entre si (créditos: New England Aquarium)
Contaminação acústica dificulta a capacidade de as baleias comunicarem entre si (créditos: New England Aquarium)
O barulho de origem humana que percorre os oceanos – como os motores dos grandes navios – provoca stress nas baleias ao dificultar a sua comunicação. Já há algum tempo os investigadores acreditavam que esta teoria tinha fundamento, mas só agora, e graças a um método pouco convencional, onde o ‘acaso’ teve um papel determinante, foi possível prová-la.
O curioso estudo, que liga os acontecimentos do 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque a uma investigação sobre fezes de baleias na Baía de Fundy (na costa atlântica da América do Norte), está agora publicado no «Proceedings of the Royal Society B».
Em 2001, a investigadora e veterinária Roz Rolland, do Aquário de Nova Inglaterra, em Boston, estava a recolher fezes de baleias-francas na Baía de Fundy, no Canadá, com a ajuda de um rottweiller, capaz de as detectar sobre as águas.
O objectivo era realizar testes de gravidez e estudar a reprodução dos animais. Mas as fezes, além de indicarem se a baleia está grávida, revelam também os seus níveis de stress. No dia 11 de Setembro de 2001, o atentado ao World Trade Center de Nova Iorque provocou uma diminuição drástica do tráfego marítimo na costa norte atlântica da América do Norte.
Pela primeira vez foi possível estudar as variações das hormonas de stress durante a redução de barulho no oceano. Em geral, o ruído diminuiu seis decibéis (com uma redução significativa das baixas frequências) e os níveis das hormonas do stress das baleias também. Este resultado sugere que o ruído provoca stress crónico nestes cetáceos.
As baleias utilizam sons de baixa frequência para comunicarem. Quando o ruído aumenta, as baleias alteram o seu comportamento e as suas vocalizações.
A contaminação acústica dificulta a capacidade de comunicarem entre si, aumentando o stress. Este pode interferir com os seus sistemas imunitário e reprodutivo. Existem apenas 475 baleias-francas no noroeste Atlântico e as suas taxas de reprodução são mais baixas do que as das baleias francas que passam o verão na Antárctida. O stress provocado pelo ruído pode ser uma das razões.
Roz Rolland acredita que a poluição sonora nos oceanos deve ser motivo de preocupação, tal como os desperdícios sólidos. Não são apenas os barcos que fazem barulho, adverte. As explorações de petróleo e de gás e os parques eólicos emitem também sons de baixa frequência que podem afectar estes cetáceos.

Terra prepara-se para ‘criar’ um novo supercontinente

Amásia deverá formar-se no Árctico e será a fusão da América com a Ásia

A forte atracção que o Pólo Norte exerce vai levar, dentro de 50 a 200 milhões de anos, à fusão da América com a Ásia, dando origem a Amásia, aquilo que os cientistas norte americanos acreditam ser o próximo supercontinente.

De acordo com a investigação publicada na revista «Nature», ambos os continentes serão complementados pelo Pólo Norte através de uma cadeia montanhosa que permitirá atravessar do Alasca à Sibéria e vice-versa.
Os geólogos da Universidade de Yale acreditam ainda que a América ficará situada sobre o anel de fogo do Pacífico, uma área de intensa actividade sísmica e vulcânica, mas sua topografia mudará radicalmente porque a atracção para o Pólo vai juntar a América do Sul com a do Norte. Essa mudança fará, ao mesmo tempo, desaparecer o Oceano Árctico e o mar do Caribe.

A Terra já assistiu ao nascimento de um supercontinente há 300 milhões de anos, quando todas as massas terrestres se fundiram no equador, dando origem à Pangeia, situada onde hoje está a África ocidental.

Segundo os cientistas de Yale, a Amásia deverá formar-se no Árctico, a 90 graus do centro geográfico do supercontinente anterior, a Pangeia. Os geólogos chegaram a esta conclusão depois de analisar o magnetismo de rochas antigas para determinar as suas localizações no globo terrestre ao longo do tempo. Além disso mediram como a camada directamente abaixo da crosta terrestre, o manto, move os continentes que flutuam à sua superfície.

De acordo com Peter Cawood, geólogo na universidade britânica de St Andrews, citado pela revista Nature, é fundamental compreender a disposição das massas dos continentes para entender a história da Terra. “As rochas são a nossa janela para a história”.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pescada diminui risco de doenças cardiovasculares

O consumo habitual de pescada da Namíbia congelada desencadeia uma diminuição do perímetro abdominal e da tensão arterial diastólica reduzindo o risco cardiovascular. Sete porções semanais, de 100 gramas cada, são a dose indicada.
O estudo foi iniciado em 2002 e a primeira fase da investigação quantificou o teor de ácidos gordos deste produto, tendo revelado que este peixe branco é uma fonte natural dos ácidos gordos Ómega 3 e que uma dose de 100 gramas contribui com uma quantidade de Ómega 3 EPA e DHA superior à dose diária recomendada para a manutenção da saúde cardiovascular.
Segundo o site Ciência Hoje, Posteriormente, no estudo piloto de viabilidade para saber os efeitos do consumo habitual de pescada congelada da Namíbia em pacientes saudáveis, registou-se uma tendência para a melhoria global do estado de saúde dos participantes, bem como melhorias do índice de massa corporal (IMC), colesterol total e vitamina E.
Numa segunda fase, foram recrutados 250 doentes com alto risco cardiovascular, por 11 centros de investigação, de diversos centros hospitalares espanhóis do CIBERobn.
Todos os doentes apresentavam síndrome metabólica, situação na qual o risco de padecer de doença cardiovascular grave é muito elevado.
Os investigadores concluíram que os doentes submetidos a uma dieta composta por sete porções semanais de 100 gramas de pescada durante oito semanas mostraram valores significativamente superiores nos níveis de Ómega 3 no sangue.
O peixe e os produtos do mar são os únicos alimentos que representam uma fonte natural importante de Ómega 3 EPA e DHA e estes dois nutrientes são os únicos Ómega 3 que comprovadamente proporcionam benefícios para a saúde cardiovascular.
O estudo foi realizado em Espanha, pelo Centro de Investigação Biomédica em Rede – Fisiopatia da Obesidade e da Nutrição (CIBERobn), em colaboração com a Pescanova e o Instituto de Estudos Marinhos para a Nutrição e o Bem-Estar (INESMA).

Pensamento do dia

Sabem qual é o melhor lugar para estar durante uma tempestade?
 

É ao pé da sogra!

Porque não há raio que a parta!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Pensamento do dia

"Nenhum homem é hipócrita nos seus prazeres."
Albert Camus

Sonda russa Phobos-Grunt cairá na Terra em Janeiro de 2012

Nave não tripulada deverá desintegra-se resultando em 200 quilos de destroços

2011-12-16

A sonda deverá desintegra-se antes.
A sonda deverá desintegra-se antes.
A sonda espacial russa Phobos-Grunt, destinada a Marte mas que acabou por não sair da órbita terrestre no início de Novembro, irá cair na Terra no início do próximo ano, segundo anunciou hoje a agência Roskosmos.

"O engenho espacial cairá na Terra no período entre 6 e 19 de Janeiro de 2012 numa zona compreendida entre os 51,4 graus de latitude norte e os 51,4 graus latitude sul, de acordo com cálculos preliminares", disse em comunicado a agência espacial soviética.
As coordenadas indicadas pela Roskosmos incluem a maior parte das zonas habitadas da Europa, África, Ásia e do continente americano. De acordo com o comunicado, "o lugar e a data da queda (da sonda) não poderão ser determinados senão apenas alguns dias antes". A Roskosmos referiu ainda que a nave não tripulada deverá desintegrar-se ao entrar na atmosfera e o peso total dos fragmentos que atingirão o solo "não ultrapassará os 200 quilos".

A Phobos-Grunt foi lançada durante a noite de 8 para 9 de Novembro, mas falhou a trajectória em direcção à lua marciana Phobos e ficou presa na órbita terrestre. O lançamento da sonda tinha sido a primeira tentativa da Rússia de regressar à exploração interplanetária depois do fracasso da missão da sonda Marte 96, lançada em Novembro de 1996 mas que acabou por cair no oceano Pacífico.

NASA descobre os primeiros exoplanetas do tamanho da Terra

Kepler 20e e Kepler 20f orbitam uma estrela parecida ao Sol

Comparação de tamanhos entre os planetas descobertos e os do nosso Sistema Solar (NASA/Ames/JPL-Caltech)
Comparação de tamanhos entre os planetas descobertos e os do nosso Sistema Solar (NASA/Ames/JPL-Caltech)
A missão Kepler da NASA acaba de descobrir os dois mais pequenos planetas fora do Sistema Solar (exoplanetas), com dimensões semelhantes à Terra e a orbitar uma estrela parecida com o Sol.

De acordo com a agência espacial, pensa-se que os planetas descobertos sejam rochosos. O diâmetro de um deles, o Kepler 20f, ultrapassa pouco mais o da Terra e o do outro, o Kepler 20e, é ligeiramente mais pequeno que Vénus. Ambos encontram-se num sistema de cinco planetas baptizado de Kepler 20 a aproximadamente mil anos-luz da constelação Lira.
Bem mais próximos da sua estrela do que o planeta Terra do Sol, os dois novos exoplanetas percorrem a sua órbita em menos de uma semana ou um mês.

O sistema extra-solar Kepler 20 tem mais três planetas, só que maiores, com tamanho similar ao de Neptuno. Como explica a NASA, apenas estes três exoplanetas se encontram em ‘zona habitável’, onde a água pode ser detectada em estado líquido. Já os dois novos planetas descobertos têm temperaturas à superfície demasiado elevadas para permitir vida.

A sonda Kepler, lançada em Março de 2009, tem por missão observar mais de cem mil estrelas semelhantes ao Sol, com o objectivo de detectar planetas-irmãos da Terra susceptíveis de acolher vida. O aparelho já descobriu 28 exoplanetas e recenseou 3.326 ‘planetas candidatos’, que continuam por confirmar por outros métodos.

“No jogo cósmico das escondidas, encontrar um planeta com o tamanho e temperatura ideais é uma questão de tempo”, garante a astrónoma Natalie Batalha, na notícia divulgada pela NASA. “Estamos ansiosos por saber que as descobertas mais esperadas do Kepler ainda estão por vir”, acrescenta.

Comer pouco, mantém o cérebro jovem

Descoberta molécula activada apenas por dieta de baixa caloria

Restrição calórica significa prolongar a vida.
Restrição calórica significa prolongar a vida.
Segundo avançou uma equipa de investigadores italianos, comer pouco ou moderadamente activa uma molécula que ajuda o cérebro a manter-se jovem. Os cientistas da Universidade Católica do Sagrado Coração, de Roma, descobriram que a CREB1 se activa no cérebro dos ratos submetidos a uma dieta baixa em calorias.

O estudo publicado recentemente na «Proceedings of the National Academy of Sciences» revela que a molécula estimula os genes relacionados com a longevidade e, por sua vez, o bom funcionamento cerebral. Esta é a primeira investigação que atesta um mediador dos efeitos da dieta sobre o cérebro.
A descoberta poderá ter importantes implicações para o desenvolvimento de futuros tratamentos para manter o cérebro jovem e prevenir sua degeneração e o processo de envelhecimento. Porém, até agora se desconhecia o mecanismo molecular concreto responsável por este efeito positivo, segundo o estudo.

A equipa espera conseguir activar a CREB1 através de novos remédios para manter o cérebro jovem, sem a necessidade de uma dieta rigorosa. Além disso, o estudo lança luz sobre a relação entre doenças metabólicas, como diabetes e obesidade, e o declínio das actividades cognitivas.

A restrição calórica significa um consumo de até 70 por cento dos alimentos que seriam consumidos normalmente e é uma forma conhecida para prolongar a vida e melhorar a capacidade cognitiva, comprovada por diversos modelos experimentais.

Os ratos submetidos à limitação de calorias não se tornam obesos nem desenvolvem diabetes, apresentando maior desempenho cognitivo e de memória e tornando-se menos agressivos. Além disso, não desenvolvem Alzheimer, ou demoram muito mais. Estudos anteriores já comprovavam que a obesidade é prejudicial para nosso cérebro, causando envelhecimento precoce e tornando-o susceptível a doenças comuns em idosos, como o Alzheimer e Parkinson.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

MENSAGEM DE NATAL

Desejo ferverosamente a todas as portuguesas e portugueses, à minha família, aos meus amigos e aos leitores do meu blog um Santo e Feliz Natal e um Ano de 2012 tão bom quanto possível. Desejo também aos nossos governantes lucidez e clarividência para levarem a bom porto esta Nau que sofreu um enorme rombo e parece estar a afundar-se.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Pensamento do dia

"Procure ser um homem de valor, em vez de ser um homem de sucesso."  
Einstein , Albert

A NASA confirma a existência de um planeta na zona orbital habitável do sistema planetário Kepler 22, a 600 anos-luz da Terra, no qual poderá haver condições para a formação de água em estado líquido.



Descoberto novo planeta 'habitável' fora do Sistema Solar
Associated Press/Nasa
O planeta Kepler 22b, detectado pela primeira vez em 2009 e situado a cerca de 600 anos-luz da Terra, é o primeiro planeta confirmado pela Nasa como estando numa zona orbital habitável fora do Sistema Solar, ou seja, com condições adequadas à vida em termos de disponibilidade de água, temperatura e atmosfera.
O Kepler 22b tem 2,4 vezes o raio da Terra e gira em torno da sua estrela, similar ao Sol, a cada 290 dias.
Os cientistas calculam que sua temperatura na superfície seja de 22 graus Celsius, mas não sabem se o planeta é rochoso, gasoso ou líquido.
A primeira "passagem" do planeta em frente à sua estrela foi captada pouco depois de a Nasa lançar o telescópio espacial Kepler, em março de 2009. Este equipamento conta com a maior câmera já enviada ao espaço.
Com o Kepler 22b, são três os exoplanetas confirmados por cientistas em todo o mundo capazes de abrigar a vida.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pensamento do dia

"Tudo quanto é belo manifesta o verdadeiro." 
Autor - Hugo , Victor

Spin-off da UMinho cria meias para pé diabético

Produto tem efeito anatómico, anti-bacteriano e calmante

2011-11-18
Meias de algodão, sais de prata e extractos de algas.
Meias de algodão, sais de prata e extractos de algas.
Uma spin-off da Universidade do Minho, a New Textiles, acaba de lançar as primeiras meias anatómicas, antibacterianas e calmantes para pés diabéticos e sensíveis, produzidas em Portugal. O modelo de costuras planas e sem compressão é composto por algodão, sais de prata (para controlar o crescimento de bactérias e fungos nocivos) e extractos de algas (para proporcionar um efeito calmante, sobretudo no prurido).

Segundo os responsáveis, as meias Skintoskin Diabetic foram concebidas para ajudar a minimizar os problemas decorrentes do pé diabético. Permitem ao utilizador fazer uma manutenção apropriada do seu problema, são também adequadas a pés sensíveis e têm um efeito anti-odor. Estão disponíveis para adultos, em três tamanhos, através da loja online da marca, em farmácias e em parafarmácias.
Há cerca de um milhão de diabéticos em Portugal, com idades entre os 20 e os 79 anos. Já 15 por cento desenvolvem o chamado pé de risco, podendo ter alterações graves ao nível dos pés. Neuropatia diabética, problemas circulatórios, infecção e menor circulação sanguínea no local são os principais problemas associados.

A Skintoskin representa o vestuário biofuncional da New Textiles, destinada a bebés, crianças e adultos com problemas de pele, como o eczema, tendo sido dermatologicamente testada no combate a sintomas como prurido, vermelhidão e irritação.

A spin-off da UMinho, sediada no SpinPark/AvePark, em Guimarães, é especialista em têxteis técnicos no sector da saúde está presente em Espanha, Alemanha, Reino Unido, Chile e República Checa. Actualmente, prossegue o processo de internacionalização, a par do desenvolvimento de novas soluções no domínio da saúde e bem-estar.

Material mais leve do mundo apresentado na «Science»

Microrede Metálica Ultraleve é cem vezes mais leve do que a esferovite

Microrede Metálica Ultraleve
Microrede Metálica Ultraleve
O material sólido mais leve do mundo é apresentado e descrito esta semana na revista «Science», cem vezes mais leve do que a esferovite, a Microrede Metálica Ultraleve e foi inventada por investigadores do Departamento de Engenharia Mecânica e Aeroespacial da Universidade de Califórnia em Irvine, dos laboratórios HRL e do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech).
Composto por pequenos tubos metálicos conectados em rede, com uma espessura 1000 vezes mais pequena do que um fio de cabelo, este material deve a sua leveza ao facto dos tubos serem ocos, o que faz com que 99,9 por cento da sua composição seja ar.
Para desenvolver esta Microrede Metálica Ultraleve, a equipa criou um molde, utilizando um truque óptico de criação de fibras poliméricas por um feixe de luz com posterior aplicação de uma camada de níquel.
Além de muito leve, o material é também resistente. Os investigadores submeteram o material a stress térmico, amortecimento acústico e vibração sempre com bons resultados. Após uma compressão de 50 por cento do seu volume, a microrede recuperou em 98 por cento o seu volume original.
“Os materiais tornam-se mais fortes à medida que as suas dimensões são reduzidas para escalas nanométricas”, explica o engenheiro mecânico e aeroespacial Lorenzo Valdevit, investigador principal do projecto.

Investigadores portugueses criam plantas recorrendo à biotecnologia

Projecto «Inphytro» quer potenciar características para aplicação farmacêutica e alimentar

João Fernandes, David Pereira e Henrique Nascimento  (créditos: Fernando Piçarra)
Três alunos de doutoramento e pós-doutoramento da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto apresentaram com sucesso o seu projecto da criação de plantas in vitro que sirvam as indústrias alimentar e farmacêutica.
Com o projecto intitulado «Inphytro» a equipa ganhou o prémio Star-Now no concurso de «Realize o Seu Sonho», promovido pela associação Acredita Portugal. Já tinha vencido uma menção honrosa no «iUP25k - Concurso de Ideias de Negócio da Universidade do Porto»
Em declarações ao «Ciência Hoje», David Pereira, um dos investigadores, além de João Fernandes e Henrique Nascimento, explicou que já trabalhava nesta área das plantas. “Quando surgiu a oportunidade de concorreu, ocorreu-nos fazer algo dentro deste género”, diz.
“Aliar a biotecnologia à agricultura de forma a valorizar a flora portuguesa, apostando numa área estratégica para o país” é a ideia central do «InPhytro». “Queremos produzir plantas aromáticas e medicinais para servirem de matéria-prima para a indústria alimentar e farmacêutica, mas não recorrendo à agricultura tradicional”, diz.
Através da biotecnologia, pretende-se aumentar o rendimento das potencialidades das plantas. “É bom frisar que não vamos usar organismos geneticamente modificados”, sublinha o investigador.
A potencialização das características das plantas é feita in vitro, através com controlo químico e biológico. No próximo ano, os investigadores querem avançar para a criação de uma empresa, que está já a ser incubada.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Nova legislação aumenta direito de consumidores

Directiva permite devolução de compras online no prazo de 14 dias



Consumidor poderá anular a compra.
A União Europeia (UE) aprovou hoje uma directiva com o objectivo de aumentar os direitos dos consumidores, que prevê que estes disponham de 14 dias para devolver artigos que tenham adquirido à distância, como é o caso da Internet.

A proposta recebeu o "sim" do Parlamento Europeu numa primeira leitura e o Conselho de Ministros europeus e do Meio Ambiente, reunido no Luxemburgo, aprovou-a. A legislação entrará em vigor após a publicação no Diário da UE e os Estados-membros terão dois anos para integrá-la no direito nacional.

A nova directiva harmoniza a informação que os consumidores devem receber, assim como o direito de devolver um produto que tenha sido adquirido à distância ou fora de uma loja, num prazo de 14 dias após a compra do mesmo, sem encargos adicionais e sem dar explicações, salvo casos excepcionais. Para o efeito, será criado um formulário padrão que será fornecido pelos vendedores.

No caso das compras efetuadas fora das lojas - por catálogo, Internet, telefone - os Estados-membros devem manter a legislação nacional existente que proíba o vendedor de aplicar um valor durante o período da devolução.

A lei estabelece, também, uma lista de informação básica que o cliente deve receber quanto realiza a compra numa loja, à qual os países podem acrescentar dados suplementares, dependendo das circunstâncias nacionais.

No momento de entrega do artigo, o vendedor deverá fazê-lo "logo que possível" e nunca mais tarde do que 30 dias após a compra. Se estas condições não forem cumpridas, o consumidor poderá anular a compra e pedir o reembolso dos gastos.

Esta directiva estabelece ainda que cabe ao vendedor a responsabilidade por qualquer defeito que possa sofrer o produto durante o seu transporte e que o preço do envio deve ser bem claro e estar bem destacado para o consumidor. Se um vendedor operar através de uma linha telefónica, o consumidor não terá de pagar mais do que a tarifa básica quando efectua a encomenda.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

pensamento do dia

"Procure ser um homem de valor, em vez de ser um homem de sucesso."
Einstein , Albert

Alergias de Outono

A Primavera e o Outono são as estações do ano mais propensas a alergias respiratórias (rinite alérgica).
No Outono as alergias surgem essencialmente devido às casas serem menos arejadas, haver mais mofo, humidade e pó. As casas menos arejadas e a diminuição da força do sol, facilita a multiplicação dos ácaros (animais microscópicos que desencadeiam alergias) e o surgimento do mofo.
Os sinais e sintomas da alergia respiratória podem ser confundidos com os da constipação ou gripe, nomeadamente congestão nasal, secreções nasais constantes, espirros, prurido (comichão) nos olhos, nariz, garganta e céu-da-boca, cefaleias (dor de cabeça) e mal-estar geral.

Nesta altura do ano é aconselhável:
 

- Arejar o mais possível a casa, colocar os colchões ao sol, aspirá-los frequentemente e colocar uma protecção nos colchões e almofadas.
- Limpar o pó mais vezes e retirar humidades das paredes e móveis.
- Evitar cobertores e casacos de lã, ou lavá-los sempre que possam ser secos ao sol.
- Usar aparelhos que esterilizem o ar e matem os ácaros (acaricidas).

As pessoas que têm rinite alérgica, são medicadas pelo médico para controlar os sintomas. Se os sintomas piorarem, devem consultar o médico porque pode ser necessário um reajuste da medicação ou alterar algum dos medicamentos. Pode ser necessário fazer medicação antes da chegada da Primavera e Outono, para controlarem melhor a alergia.


 

Nova geração de dirigíveis vai cruzar os céus a partir de 2014

Empresa britânica Hybrid Air Vehicles aposta no baixo custo do transporte

Os dirigíveis vão transportar produtos em zonas geladas
Os dirigíveis vão transportar produtos em zonas geladas
A partir de 2014 vão poder voltar a ver-se nos céus aeronaves dirigíveis. Tal como os zeppelins das primeiras décadas do século XX, e outros dirigíveis, os novos aeronaves que estão a ser concebidas pela companhia Hybrid Air Vehicles (HAV) têm como princípio básico utilizar gás mais leve do que o ar.
A capacidade técnica para se mover em espaços onde transportes convencionais têm problemas é a mais-valia destes HAV. A nova geração de aeróstatos será utilizada em zonas geladas para o transporte de produtos a custos relativamente baixos.
Depois de terem feito sucesso e provocado admiração nas primeiras décadas do século XX, a insegurança do transporte votou-o ao esquecimento. Passaram a ser utilizados somente para fins publicitários ou para investigações científicas.
Estes veículos modernos utilizam o princípio híbrido, ou seja, tanto a aerodinâmica como a tecnologia “mais leve do que o ar” para gerar a sustentação. Aproximadamente 60 por cento da elevação é aerostática (sustentabilidade a hélio). A restante percentagem é aerodinâmica, gerada a partir do formato do veículo
Além da vantagem de poder dirigir-se para pontos geográficos difíceis, estas aeronaves têm também o factor económico do seu lado. Os custos de viagem por terra ou a contratação de voos são geralmente muito altos.
A empresa britânica propõe criar um sistema de voo barato e prático utilizando dirigíveis que podem transportar até 50 toneladas de peso a um quarto de custo dos meios convencionais.
Zonas geladas de exploração de minérios como a Gronelândia, o Canadá ou a Sibéria já se mostraram interessadas no projecto.

Cientistas descobrem planeta com dois sóis

Chamam-lhe Kepler-16b e está a 200 anos-luz da Terra

O planeta descoberto é parecido com o Tatooine da “Guerra das Estrelas”
O planeta descoberto é parecido com o Tatooine da “Guerra das Estrelas”
Qualquer semelhança com a realidade é pura ficção. Ou não. Astrónomos da NASA acabam de descobrir o que até agora só existia na saga de filmes “Guerra das Estrelas”: um planeta com dois sóis.

Este exoplaneta que gira em torno de dois sóis foi chamado de Kepler-16b e localiza-se a 200 anos-luz da Terra.
O Kepler-16b tem uma massa de quase um terço da de Júpiter e um raio correspondente a 75 por cento deste planeta, o maior do Sistema Solar. Possui uma dimensão e uma massa semelhantes a Saturno e orbita os dois sóis em 229 dias, a uma distância média de 104,6 milhões de quilómetros.

Até hoje, um planeta como este apenas existia na “Guerra das Estrelas” com o planeta Tatooine, coberto de desertos e povoado de espécies indígenas como os ‘homens das areias’.

Mas, ao contrário deste planeta, o Kepler-16b é frio e gasoso, pelo que os astrónomos norte-americanos excluem a possibilidade de lá existir vida. Os dois sóis são estrelas mais pequenas e quentes do que o Sol, o que faz com que a temperatura seja à superfície entre 73 e 101 graus negativos.

Saiba tratar da diabetes

A Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) lançou ontem um livro que pretende ajudar as pessoas que acabam de saber que têm diabetes a realizarem o seu próprio tratamento.

«A Diabetes na sua mão – agora que descobriu que tem diabetes do tipo 2» é um livro de Francisco Sobral do Rosário, Maria João Afonso e José Manuel Boavida. É editado pela Gradiva e dirigido ao público em geral.

Este livro procura “comunicar de uma forma directa” e em “linguagem facilmente compreensível” tudo o que rodeia a diabetes, explica Francisco Sobral do Rosário ao Ciência Hoje.

Assim, tendo em conta receios e mitos relacionados com a diabetes, tenta “responder de uma forma clara e acessível” às dúvidas dos leitores.

A ideia de realizar a obra partiu das sessões realizadas na APDP e orientadas por Francisco Sobral do Rosário para pessoas com diabetes tipo 2. Estas consistem num “diálogo franco” entre profissionais de saúde, pessoas com esta doença e familiares.

Outra razão prendeu-se com a “inexistência de um livro dirigido ao público em geral” sobre este assunto, explica o autor.

Passagem do cometa Elenin não será catastrófica

A passagem do Cometa Elenin "perto" da Terra e o fenómeno na Internet de que “algo catastrófico” pode acontecer no planeta em breve levou a NASA a lançar recentemente um comunicado intitulado «Cometa Elenin não ameaça Terra». Terramotos, furacões, tsunamis, chuva de meteoros, construção de abrigos subterrâneos na Rússia, compra de kit´s de sobrevivência ou comparações ao hipotético Planeta X são algumas das informações veiculadas na Internet relacionadas com a passagem do cometa.

Segundo cálculos da NASA, o Elenin – detectado a 10 de Dezembro de 2010 por Leonid Elenin (Lyubertsy, Rússia) e cujo nome científico é C/2010 X1 – atingirá a máxima aproximação do nosso planeta no próximo dia 16 de Outubro. “O que posso dizer para já é que não há perigo algum, porque vai passar muito longe”, disse o investigador Nuno Peixinho, do Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra e do Centro de Física Computacional.

O cientista português refere ainda que não irá tapar o sol, já que para o conseguir teria de estar a 400 quilómetros de distância da Terra e aquele corpo celeste vai passar a uma distância de 35 milhões de quilómetros, o que equivale quase cem vezes a distância da Terra à Lua.

“Seria a mesma coisa que um mosquito passar entre nós e o sol, não o vemos”, exemplifica o especialista da área da Astronomia, desmistificando também a ideia divulgada na Internet que o Elenin facilite o aparecimento de catástrofes naturais, como tsunamis, porque simplesmente a força da gravidade exercida sobre a Terra pelo cometa “é mínima”, sendo, na prática, essencialmente nula.

Mas o fenómeno na Internet sobre o cometa Elenin é de tal ordem que até já se compara aquela bola de gelo sujo com um diâmetro entre os três e os cinco quilómetros, a uns eventuais Planeta X ou ao Planeta Vermelho, recorrendo a místicas interpretações de antigas hipóteses científicas já há muito refutadas.

A chegada de uma nave espacial com uma civilização alienígena também são conjecturas que se podem ler em vários sítios da Internet quando se faz uma pesquisa por “cometa Elenin” e há sítios virtuais que referem que os russos decidiram aumentar o número de abrigos em bases subterrâneas como um plano de emergência à passagem do Elenin.

Há outros sítios na Internet que indicam que a NASA está num nível de alerta máximo e que a FEMA (Federal Emergency Management Agency), começou a instalar câmaras de vigilância nos EUA para capturar a “queda de meteoritos”.

Especulações incorrectas

O cientista Don Yeomans, da NASA, afirma que se têm “verificado especulações incorrectas sobre o alinhamento do Elenin com outros corpos celestiais”. No documento da agência espacial lê-se também que o tamanho do cometa é “modesto”, apresentando um diâmetro entre três a cinco quilómetros, e que não oferece “ameaça à Terra”.

O Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) também defende que a passagem do cometa não terá “nenhuma influência na Terra”, nem “causará escuridão”, porque o cometa nem sequer “cruzará o disco solar e mesmo que cruzasse é tão pequeno e está tão longe que não se notaria diferença no brilho aparente do Sol".

“Os cometas são objectos muito pouco densos – são uma mistura de rocha e gelo - e não têm nenhum tipo de influência gravitacional significativa” sobre nós, esclarece Nelma Alas, do CAUP. O Núcleo de Divulgação do centro informa ainda que nem sequer se sabe ainda se o cometa Elenin será visível a olho nu no céu nocturno. “Pensa-se que com uns bons binóculos se conseguirá observar, mas é claro que também é necessário um bom céu – sem nuvens e sem poluição luminosa”, indica Nelma Silva, do NDCAU, recordando, por exemplo, que o cometa Hale-Boop, o mais brilhante das últimas décadas, foi bem visível em 1997 a olho nu.

Portugueses criam o feixe de raios gama mais brilhante do mundo

Por Susana Lage
Nuno Lemos e João Mendanha Dias
Nuno Lemos e João Mendanha Dias
Nuno Lemos e João Mendanha Dias utilizaram o laser mais intenso do mundo para criar o feixe de raios gama mais brilhante jamais produzido em laboratório. O feito abre novas perspectivas em aplicações na medicina como o tratamento do cancro e a imagiologia médica.

Em entrevista ao Ciência Hoje, a equipa do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN) do Instituto Superior Técnico (IST), explica que fez este trabalho numa colaboração com a Universidade de Strathclyde e o Laboratório Rutherford Appleton, Reino Unido. Os resultados foram publicados esta semana na revista Nature Physics.
“Nunca ninguém tinha proposto uma experiencia para produzir raios gama”, afirmam.

A fonte de raios gama criada tem um brilho mais de mil biliões de vezes superior ao emitido pelo Sol. As características únicas, como a elevada coerência espacial, alto brilho e duração ultra-curta, podem abrir novos caminhos em várias aplicações tão diversas como biologia, ciências dos materiais, física nuclear, segurança ambiental e medicina.

Próximos passos

Existem dois tipos de abordagem para o futuro desta investigação, como a produção de “raios gama ainda mais energéticos para o estudo de reacções nucleares”, uma aplicação mais fundamental no plano da investigação científica, referem Nuno Lemos e João Mendanha Dias.

Outra abordagem passa por “desenvolver as características desta fonte como um género de laser de raios gama”, onde poderá ser aplicado em várias áreas como, por exemplo, o tratamento do cancro, imagiologia médica, produção de isótopos para PET (Tomografia de Emissão de Positrões), e monitorização da integridade de resíduos radioactivos.

Segundo os cientistas, “este trabalho, ao demonstrar a geração de radiação gama através aceleradores laser-plasma compactos e comparativamente de baixo custo abre a possibilidade à proliferação a este tipo de aplicações até agora muito restrito”.

Exemplo de um acelerador laser-plasma simulado
Exemplo de um acelerador laser-plasma simulado
Aceleradores laser-plasma

As fontes de raios gama ultra-brilhantes permitem sondar matéria densa como por exemplo verificar a integridade de resíduos nucleares armazenados. Para além disso a característica ultra-curta na sua duração permite o estudo de fenómenos ultra rápidos da estrutura da matéria à escala nuclear.

O princípio utilizado para criar o feixe de raios gama baseia-se no conceito de aceleradores laser-plasma, técnica em que a equipa portuguesa trabalha há vários anos. "Na natureza, se acelerarmos partículas carregadas, como os electrões, estas emitem radiação. Nesta experiência, os electrões são capturados numa cavidade de iões deixada pelo rasto de um impulso laser muito intenso a propagar-se num plasma (gás ionizado). Aqui, são acelerados até altas energias, atingindo velocidades próximas da luz", explicam os investigadores do IPFN.

Após serem acelerados nesta cavidade, alcançam o impulso laser obtendo ainda mais energia ao interagir com este, começando a oscilar fortemente. "Este forte movimento oscilatório de electrões altamente energéticos permite-nos aumentar a energia da radiação emitida até ao nível dos raios gama", continuam.

Este tipo de aceleradores, denominados aceleradores laser-plasma, baseia-se em impulsos laser de alta potência que se propagam num plasma, conseguindo acelerar partículas carregadas até energias muito altas num espaço muito curto. "Graças a isto, é possível reduzir os aceleradores convencionais com mais de 100 metros de comprimento para uma dimensão que cabe na palma da mão", concluem.

domingo, 18 de setembro de 2011

Pensamento do dia

"Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente. 

George Winter: Prémio europeu para investigador português

Rui Reis, investigador da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, foi galardoado com a principal distinção da Europa na área dos Biomateriais – o George Winter Award, atribuído pela European Society for Biomaterials (ESB) e que se destina a reconhecer, encorajar e estimular contributos notáveis para a investigação na área dos biomateriais.

Insistiu em salientar que "este prémio carreira" destaca, igualmente, "o contributo da restante equipa de investigação na área de regeneração de tecidos", com materiais naturais aplicados em células estaminais. Materiais naturais como amido de milho ou soja e quitina – um polímero equivalente ao colagénio que pode ser encontrado em derivados de camarões ou lagosta –, algas mineralizadas (verdes e em corais) são alguns dos biomateriais mais utilizados para a criação de osso e cartilagem, segundo explicou ao «Ciência Hoje» (CH).
Os materiais de origem marinha são combinados e utilizados "como suporte de células estaminais para a regeneração, em cultura de células, no domínio de defeitos ósseos ou tecidos".

No entanto, os projectos deste cientista vão ‘de vento em popa’, já que conta já com mais de uma dezena de patentes registadas e “a investigação está cada vez mais próxima da aplicação clínica” – estando, entretanto, apenas a ser aplicada em pequenos e grandes animais. O trabalho de Rui Reis já saiu do laboratório e “está numa empresa que conta com capitais de risco e alguns investidores privados”.

Os materiais, em termos empresariais, ainda “não são comercializados para pacientes humanos”, por falta de regulações nacionais e europeias, mas “estarão disponíveis a outros laboratórios que os possam usar”, avançou ainda ao CH.

Com 44 anos, Rui Reis torna-se um dos galardoados mais jovens a receber esta distinção, já que “costuma ser atribuída a cientistas aposentados ou em vias disso”. O prémio será entregue, no próximo dia 7, durante a conferência anual de biomateriais da sociedade, em Dublin, na Irlanda, com a presença de mais de mil investigadores de todo o mundo.